sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sensual Affair (2009) - Claudio Fagundes




domingo, 6 de setembro de 2009

viver




Estou cansado das pessoas, de suas relações frias, das representações cotidianas e das belezas temporárias que não chegam a se mostrar verdadeiras. Estou cansado de viver essa vida efêmera de falsos beijos no rosto, de sorrisos e semblantes desmagnetizados de espírito.

Estou cansado de amores e amizades que se terminam em um dia ruim e sequer há espaço para um perdão. Em deslizes que se transformam em pecados irrevogáveis no qual sequer se merece uma trégua para um abraço. Desta falta de compreensão, deste mergulho em tristezas que não sabe ao menos se transformar em alguma espécie de solidariedade.

Estou cansado das pessoas e suas convicções, aquele orgulho e certeza de estar certo. Essa falta de humildade perante o universo, essa falta de trégua para enxergar a beleza das pequenas coisas. Eu sinto falta de pessoas menos mentais e mais verdadeiras, que não montam a sua caraça em cima de pensamentos que nada mais são que construções sobre os nossos pequenos delírios cotidianos.

Sim, eu sinto pena de mim, às vezes, por dedicar um carinho por anos a fio, diariamente, por tentar construir uma relação de afeto e atenção. Eu fico para morrer quando uma pessoa que eu amo, simplesmente vira as costas sem sequer dizer adeus.

Mas eu estou errado de ser tão humano. Eu deveria seguir os paradigmas daqueles que acreditam em deuses e caminhos retos a seguir. Mas eu sou humano e não me perdôo pelos meus erros e pelas minhas pequenas crenças em mudanças e paixões; alegrias e sentimentos; em amizades e amores; em transformações e num alvorecer que acontece todos os dias, toda a hora, todo momento.


por Claudio Fagundes (CAlex)


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Episodic (2009)


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Vazio

Não sei explicar como os encontros acontecem, nem por que acontecem. Simplesmente um pequeno detalhe, ínfima coincidência, e então acontece. Não há nenhuma lógica nisso. Não é vulgar, não é eterno, mas agora parece perene.

O que veio depois do encontro é o que determina a perenitude. Foi quando os laços se aprofundaram e se misturaram em uma teia de idéias entrelaçadas.

Foi assim que aconteceu. O encontro tornou-se um hábito e o hábito o alimento do cotidiano. Dentro de uma solidão desejada – e até provocada – conspirou-se uma cumplicidade de idéias que foi me tomando por completo, até mesmo no mundo das sensações.

A tua voz, ah a tua voz! Tua língua rápida e ferina, se mexendo na boca. Os teus olhos, eles não param quietos, mexem-se com destreza e, de repente, pousam nos meus. Teus braços esguios que gesticulam endossando a palavra. Tua elegância por natureza.



por Claudio Fagundes (CAlex)