terça-feira, 4 de junho de 2013

abra as portas

Não refugie a tua poesia em palavras herméticas e sentidos obscuros. Bem verdade que assim dás o dom de cada leitor de construir outro poema. Mas  poesia não é fechar portas criar incompreensões herméticas. Escreva com palavras simples e abra as portas com facilidade para cenários complexos e profundos da tua alma. Seja simples como aquilo que brota na semente e verdeja na complexidade de um ser vivente.

as portas

às vezes penso
em escrever um poema
às vezes penso
e não escrevo nada

construo para mim mesmo
uma porta secreta
por onde saio
e nem sempre volto

hoje não encontro
a minha porta secreta
onde foi que a achei
da última vez?

o tempo passa
e as portas vão se fechando
o tempo admira
as portas fechadas

Passagem



A casa está vazia hoje. Não esbarro nem comigo mesmo. O silêncio permeia os ambientes e o quarto ainda está na penumbra. Não tenho que fazer de mim. Encontro-me comigo mesmo em uma dimensão distante. Longe das dobras do cotidiano e das sobras do dia de ontem. Aguardo a passagem das horas!

Vesti-me de manhazinha com a roupa habitual de meu dia-a-dia. No entanto a cela parece que me leva a caminhos até então indecifráveis. Não sei onde minha nave quer me levar. Nem sei se quer, simplesmente habito.

Habito e, dentro dela, pareço ser outro mundo. Um outro mundo com outro modo de ser. Perplexo. Deixo-me acompanhar da vida que passa. Vou dentro de algo e algo vai dentro de mim. São pequenos universos irreconhecidos. Sou eu que vou no rumo do tempo. Sou eu quem sou percorrendo a minha jornada. E esta jornada não sou eu que traço.

É apenas a vida que se desenvolve e eu vou!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

terça-feira, 9 de abril de 2013

Aerial America

Estou assistindo, no canal Globosat+, uma série que se chama "Aerial America". A proposta consiste em mostrar, provavelmente para os próprios americanos, o país em que vivem. Que, claro, é enorme e a maioria dos americanos conhecem apenas uma parte dele.

A abordagem da série é feita pela filmagem do alto, a partir de helicópteros, com tomadas sempre de cima, aéreas, e que mostram muito bem os aspectos urbanos, a arquitetura, as instalações, e uma exuberante natureza, magnificamente preservada e e que se intermeia com as cidades e em suas periferias.

A série não fica apenas nas imagens. O narrador vai contando histórias das cidades e regiões onde aconteceram importantes eventos. E assim vai conjugando imagens e acontecimentos, residências de americanos ilustres do passado, monumentos, fábricas, rios, pontes, florestas, montanhas, vales etc.

O primeiro programa foi pelo arquipélago do Hawaii. O segundo foi pelo Estado de Connecticut. O terceiro, acabei de ver, foi pelo Estado de Virginia.

É um trabalho de propaganda, eu sei. Provavelmente é para estimular o orgulho nacional, quem sabe. Mas qual é o problema de admirar algo que funciona magnificamente e com a beleza natural e desenvolvimento organizado entremeados. Acho que o americanos têm razão de serem orgulhosos de seu país.

E confesso que fico de boca aberta. Eu, que passei a maior parte da vida torcendo a cara para eles. Agora, quando a idade avança, consigo libertar-me do ranço esquerdista que tantos anos me acompanhou. E, agora, eu vejo este programa com desprendimento que me permite admirar e, com uma pontinha de inveja, acompanhar e admitir que é uma beleza enorme, aquilo lá.