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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Astrologia Mundana: dois meses de Júpiter em conjunção com Netuno (*)




Se inicia em 13/05/2009 (durará até 10/07/2009) um tempo de idealismo no mundo.

As pessoas serão despertadas para um sentimento espontâneo para com os demais e entrarão num estado de disposição em ajudar outras pessoas. Cada um poderá ajudar as pessoas mais próximas com alguma coisa ou ação de conforto. Haverá uma predisposição geral em acudir a aqueles que se encontam em situação desvantajosa perante a sociedade. As instituições de caridade poderão contar com uma ahuda extra nesse tempo.

Esse tempo também ajudará e motivará a cada um a renovar os seus ideais. Não será suficiente para a satisfação pessoal de cada um simplesmente para acreditar em algo, ter mera mente uma fé genérica, as pessoas estarão propensas a realizarem suas convicções pessoais. Mas há uma tendência negativa, que reflete no plano pessoal de cada um, de considerar tudo em que acredita como uma verdade absoluta. Deve-se tomar cuidado par anão delirar demais no próprio idealismo.

Neste momento, muitas pessoas se interessarão mais por filosofia e religião. As pessoas estarão bem mais em observar como se ajustam na ordem universal. Estarão mais ligadas em abstrações e em como estas se relacionam à sua vida. Os aspectos cotidianos tenderão a aborrecer e parecerão mecânicos demais para que sejam objeto de preocupação. Não é preciso dizer que isso poderá trazer uma série de problemas na vida pessoal e comunitária. Portanto, é importante ter consciência do cotidiano, para evitar dificuldades, mesmo que as pessoas à volta não estejam ligadas nem um pouco em si mesmas. É vital manter a cotidianidade dos requisitos diários e isso ajudará a desenvolver perspicácias no dia-a-dia e tornar a vida muito mais significativa.

Existe outro lado, entretanto, a ser observado. As pessoas de modo geral estarão sujeitas a sentirem uma confiança tola nas suas próprias percepções. Como resultado, tenderão a tomar riscos e fazer apostas que podem levar a sérios prejuízos futuros. Aliás, não é um tempo muito propício para dedicar-se a jogos de azar. Nem a apostar corridas nas estradas e no trânsito cotidiano. Essa confiança exacerbada em si mesmo pode ser catastrófica.

O momento é de confundir os desejos com a realidade e deixar os desejos tomarem o timão da vida, nesse tempo, não é adequado.

Não é um bom tempo para fazer investimentos a longo prazo, porque a tendência é ver o mundo com lentes mais coloridas e os negócios requerem frieza e austeridade.

De fato, as pessoas estarão muito mais propensas a serem sensibilizadas por qualquer um que apele para seus desejos, especialmente para desejos mais íntimos.

Aproveite esse tempo para adquirir perspicácias na vida, mas evite avançar em seus interesses mais materiais, pois a tendência provável é de não ser bem sucedido. A não ser que tenha plena consciência do cotidiano e queira obter vantagem dos outros em estado geral de tolice... e isso não é muito bonito.



(*) Previsões de Claudio Aldebahran - c.aldebahran@gmail.com


terça-feira, 4 de março de 2008

das perdas e do renascimento

 

 

Não existe nada mais determinante em astrologia do que um trânsito de Plutão. Talvez seja o único evento que não conseguimos, nem conseguiremos nos safar. Plutão representa o nosso contato com o que desconhecemos, o nosso inferno particular, a nossa falência, o nosso luto mais profundo, tudo aquilo que nos abala mais profundamente. E que nada podemos fazer. Plutão pode significar perda do amor que a gente mais quer, do amigo que mais amamos, pode significar a perda do filho. Nunca traz a nossa morte, mas nos mata um pouco, devagar, como um câncer que se propaga, devastando a nossa vida vagarosamente.

Essas perdas não significam, obrigatoriamente, a morte de alguém. Pode ser pior que a morte. Pode ser a dor de perder uma pessoa que a gente ama; perder para a vida. Perder uma amiga, ou um amigo, para a incompreensão, para o silêncio, para o "não quero mais saber". Sem que haja lógica, nem razão, a pessoa cessa de nos querer.

Plutão representa o ilógico, o inexplicável, o inevitável, o inexorável. Perder um amigo com ele em vida, significa a desilusão da pior espécie. É mais inexplicável que a perda de um amante, porque o desejo é uma chama que se consome e é natural que se desvaneça e se apague e daí nada mais natural que o adeus. Mas a perda de um amigo, com ele em vida, de uma amizade profunda, é uma dor terrível. Nada se pode fazer!

Nem sempre se pode creditar a Plutão uma determinada perda. Saturno é dado a contribuir para perdas mais factíveis. Essas perdas que são terríveis, mas que passam porque têm que passar. A perda do pai, ou da mãe, mesmo fora de hora, é uma perda lógica. A perda de um filho, em contrapartida, é ilógica. è natural que os pais morram antes dos seus filhos e não o contrário. A perda dos pais é coisa de Saturno, porque Saturno é lógico. A perda do filho é coisa de Plutão. Só para entender melhor. Mas, como disse, a perda nem sempre é a morte: pode ser o afastamento, a distância, o alheamento... De qualquer forma é sempre uma dor imensa: incontável.

Há perdas que nem se percebe que perdeu. Só se percebe quando já aconteceu, tempos depois. Há perdas que, entretanto, percebe-se desde o início e se observa como um navio se afastando lentamente em direção ao horizonte. Quando é Plutão, o navio, a gente sabe que não existe a possibilidade de volta. É a nau de Caronte que nos deixa no inferno.

Quem luta contra Plutão, perde! Perde e se arrasa, pois conhecerá a derrota de todas as suas energias. Uma falência múltipla. Mas não morrerá: ficará inválido na dor. Viverá a dor até a última gota de amargura.

Assim, só existe uma maneira de neutralizar Plutão em nossa vida. Mais que neutralizar é uma verdadeira alquimia: podemos tornar Plutão positivo! Como se trata de uma força universal, pois Plutão representa a nossa porta para o universo, há uma maneira de transformar a possibilidade de perda em um impulso vital para a transformação do mal para o bem. E essa alquimia passa por uma interação com Plutão: utilizar o impulso para uma transformação pessoal.

Mas como entender Plutão se ele é inexplicável, ilógico, inexorável? Não, ele não é de todo. Ele é inexplicável pela nossa lógica cartesiana. A astrologia de Plutão é uma leitura de linguagem oculta. Para interagir com tal linguagem é preciso desapego de si, é preciso consciência de si. Significa que o mundano de Plutão não é um exercício agradável para o ego. Se vamos com o ego, as feridas serão profundas.

Ao falar com Plutão, dispa-se! Revele a nudez de toda arrogância e de todo desejo material. Tome impulso e deixe-se levar sem perda de consciência de si, nunca! Caronte levar-lhe-á em sua barca em direção do Paraíso. Ali você renascerá!

 

 


 

domingo, 2 de março de 2008

do amor e dos quatro elementos

 

 

Antes eu já escrevi sobre os relacionamentos e relacionei a Casa 5 com as práticas sexuais simplesmente sexuais: o sexo pelo sexo, sem ligações afetivas de qualquer natureza. Apenas pelo prazer do jogo e do contato sexual. Eu chamaria de práticas sexuais pueris. No meu entender, obviamente, quando se fala em sexo, não se fala em amor, embora o sexo possa ser um componente do amor. Mas, quando se fala em amor, haveremos de pensar também de ligações não obrigatoriamente com sexo envolvido. Há relações que não se cogita o sexo. Aqui, quando falar de amor, estarei falando de amor com sexo envolvido, ou a sua negação veemente, porque a negação sexual geralmente é resultado de um entrave de natureza psíquica. Mas não quero me adentrar no campo das patologias psíquicas.

O amor é um sentimento que transcende o próprio sentimento. Dependendo de sua intensidade e abrangência poderá sintonizar toda a realidade do sujeito. Mas o amor é essencialmente uma emoção e uma emoção que envolve um encontro. Esse encontro pode ser de fogo, quando há uma ligação de natureza espiritual; de água quando trata-se de uma ligação baseada em sentimentos, carinho, ternura, compreensão; pode ser de ar, quando acontece na esfera da afinidade intelectual, do pensamento, das convicções, da comunicação; pode ser de terra, quando enfatiza o prazer sexual e o interesse material, as riquezas.

Desde já quero afirmar que quando eu falo em amor: um amor real, pleno; estou me referindo a um encontro nos quatro elementos. Sim, porque se um dos elementos estiver fraco, ele estrangulará o relacionamento, desequilibrando-o e tornando obsessiva justamente o que é o ponto fraco. Se faltar o fogo do espírito, que é o que leva à evolução permanente, o amor tenderá a morrer pela monotonia, pela falta de horizontes. Se faltar a água das emoções, o amor será frio, maquinal, e tenderá a morrer pela secura e falta de compreensão. Se faltar ar, será um relacionamento isolado, sem interação e sem compartilhamento de idéias. Se faltar terra, o relacionamento tenderá a ser impossível porque não poderão sobreviver, porque faltará bens materiais de subsistência e vontade para o sexo.

Assim, quando falo em amor, estou falando na presença desses quatro elementos. Com a presença dos quatro elementos o amor prospera e leva a felicidade e a satisfação mútua.

Essas combinações de elementos não estão nos dois amantes, obrigatoriamente. Pode ser que um ou outro sejam mais desenvolvidos em um elemento do que em outro. Desta forma o outro parceiro deverá contrabalançar o primeiro. Um relacionamento equilibrado é um equilíbrio elemental. Por essa razão a gente vê tantas pessoas que são mesmo muito diferentes, mas que se relacionam bem e vivem uma vida inteira juntas: um complementa o outro. Esse complementar não é no sentido barato dos afazeres cotidianos: o amor não é só cotidiano. É também sonhos, planos e porvir. É também o passado que consolida a história.

O estudo dos elementos dos mapas natais dos amantes pode ajudar ao crescimento da relação. Mas será uma luta hercúlea se o quadro de elementos estiver pendente apenas para um lado. Nem sempre vale a pena lutar para ir adiante em um relacionamento. Se isso acontecer a tendência será um comportamento obsessivo que será uma rota de colisão que pode ter resultados trágicos.

Concluindo, por hora, a Astrologia não determina relacionamento. O querer, livre-arbítrio, é que determina. Mas o querer envolve muitas nuances e dependendo do poder que um exerce sobre o outro pode se tornar uma verdadeira ditadura de caráter, com a anulação do querer do Outro.

Ninguém precisa da Astrologia para amar. Também não é um bom caminho para procurar amantes que obedeçam a padrões astrológicos, parece-me isso também uma coisa muito doida. Pensemos assim: dado um relacionamento, quais seriam os seus pontos fortes que poderiam ajudar no desenvolvimento dos pontos fracos. É apenas um exemplo de utilidade.

A Astrologia Transpessoal poderá ajudar, mas não será determinante absolutamente de nada. Pelo menos é assim que eu quero pensar que seja.

 


 

do amor, do prazer, da amizade e do casamento

 

 

Peço aqui uma pausa sobre todas as conjecturas em termos de desejos e sentimentos. Uma pausa apenas, num mundo que não existe, nem vale a pena, sem desejos nem sentimentos. Os desejos nos levam adiante, nos conduzem além do racional usando de todas as nossas forças e fragilidades. O caminho da Sefirot, que se denomina Os Amantes é o caminho da transformação.

O Roberto Freire costuma dizer que "sem tesão,não há solução". É esse o título de um de seus livros. Mas o que é tal tesão? É o tesão que sentimos, aquele desejo vazio, dos olhares que se cruzam em uma calçada da vida? Daqueles que se cruzam em uma reunião social? O tesão que sentimos por um ícone do desejo, uma artista de cinema, um paradigma todo certinho? Não, esse é um tesão sim, mas não é o tesão que leva à transformação. Seria esse tesão que faz nos mover, sair da inércia cotidiana? Não acho que não. A maioria desses pequenos tesões que sentimos ao percorrer do caminho diário são incapazes de nos fazer mover mesmo até eles. Eles são efêmeros e ali mesmo morrem.

Com a ajuda da Astrologia podemos entender um pouco mais sobre as diferentes variações do amor e do prazer... e entender um pouco mais sobre o casamento e relações semelhantes. O mundano na Astrologia (e tudo isso pertence ao mundano) é representado pelas Casas Terrestres. E nessas tais casas precisamos focar a Casa 5, a Casa 7, a Casa 8 e a Casa 11. No meu entender essas 4 casas terrestres descrevem os principais nuances de uma vida afetiva saudável e honesta.

A Casa 5 representa o prazer. O prazer puro que não transcende e nem transforma. É uma brincadeira de delícias. Aqui realizamos toda a diversão e o sexo é como um jogo de desafios de extrair de si e do outro, todas as delícias possíveis e todas loucuras de perder a cabeça e as responsabilidades. A Casa 5 é também a casa das crianças. Aqui transformamos o amor em um parque de diversões. Tudo é leve, tudo é puro, tudo é simplesmente prazer. A Casa 5 é o reino do egocentrismo dadivoso. Aqui ninguém se perde, nem perde o caminho de casa. É como sexo entre adolescentes.

Vamos pular para a Casa 8. A Casa 8 é densa. Se a Casa 5 representa a sexualidade superficial, a Casa 8 representará os domínios da sexualidade profunda. Se a Casa 5 é a fogueira, a Casa 8 será as águas putrefatas de um pântano. A Casa 8 envolve o nosso eu profundo, o nosso ser, e nos coloca a mercê de nós mesmos. Sim, o Outro, há o Outro. O Outro é aquele que não compreendemos, mas que nos leva a ações que jamais seríamos capazes de ter se não houvesse esse Outro catalisador de nosso ímpeto para a transformação. Sim, esse Outro que não compreendemos e nos cativa inexplicavelmente, capaz de nos fazer mover e até a mudar nossos hábitos e manias mais enraizadas, encardidas que nossa roupa suada. Esse tesão não é um tesão vulgar. Ninguém aposta a sua cabeça com o Diabo vulgarmente. Sim, porque estamos mergulhando naquilo que não compreendemos. E aí surgem os nosso instintos mais primários para nos empurrar nos levar e conduzir, sem qualquer racionalidade explicativa.

Na Casa 5 o amor é meramente prazer. É como um homem que procura tal prazer nos braços de uma prostituta. É como aquele que não tem coragem para tal e simplesmente se masturba. Falo de homens e mulheres. Porque o prazer comprado tem sua própria ética. Como os jogos tem suas regras, os bordéis formais e informais também o tem. E a regra aqui é manter-se no casual sem qualquer aprofundamento mais denso.

Na Casa 8 o prazer é o risco da morte. Aqui se destroem realidades. Aqui não sabemos lidar com os negócios mais simples da vida mundanas nos quais tudo tem um preço. E um preço reduzido a unidades monetárias. Não. Aqui o preço é a própria vida. Aqui o sujeito que entra, jamais será o mesmo depois. Algo de si morre pelo caminho, mas obviamente algo também nasce. Aqui aposta-se tudo e o que vem em troca não é mais comparável. Não se tem um sentido compensatório objetivo. Mas a Casa 8 é a casa da transformação, é o que nos tira da inércia. Sim aqui o tesão tem uma solução, ao contrário do prazer da Casa 5, aqui o tesão não é simplesmente matéria. Envolve o espírito, ou seja, o nosso próprio ser e seu porvir.

A Casa 5 e a Casa 8, entretanto, são domínios íntimos. Envolvem decisões personalíssimas e que não dão respostas, portanto, para terceiros. As respostas para terceiros são estabelecidas pela Casa 7 e pela Casa 11.

A Casa 7 é a casa que representa o casamento. O casamento não é propriamente um fruto da irresponsabilidade da Casa 5 ou da inclemência da Casa 8. É outra relação e que poderá, entretanto, ter relações de prazer e de transformação. A Casa 7 é a casa das associações. Aqui formalizamos uma relação como formal e através desta forma assumimos responsabilidades. A Casa 7 é uma formalização de uma sociedade. Para o mundo passamos a agir em conjunto. Aqui respondemos solidariamente pelas nossa ações no mundo e para esse organismo teórico que chamamos de sociedade. Como uma firma, o casamento é uma empresa. E nele há suas regras de gestão e atuação. No casamento o prazer se transforma (pelo menos teoricamente) em filhos. E os filhos são a outra interpretação que damos à Casa 5. Sublima-se, pois, o prazer para o prazer dos filhos.

A Casa 7 descreve uma posição de amor? Não obrigatoriamente, mas é melhor que sim. Porque só por amor podemos abrir mão de outros prazeres e possibilidades. A Casa 7 sozinha não é a garantia de absolutamente nada a não ser de um compromisso e obrigações formais. Isso em seu estrito sentido, mas nada na vida é estrito. Tudo trás em si uma infinidade de sentidos.

A Casa 11 representa a amizade. Enquanto a Casa 7 representa relações formais, a Casa 11 nos fala de relações das mais informais possíveis. O compromisso e a responsabilidade não são rígidos e em nome da amizade tudo se pode compreender e, provavelmente, até perdoar. Mas entretanto existem aqui elos informais talvez mais fortes que os formais regidos pela Casa 7.

A Casa 11, como a Casa 7, é um lugar de relações. A Casa 5 e a Casa 8 não são lugar de relações: são algo que podem existir dentro das relações. Ou não.

O amor profundo e o prazer superficial não tem nada a ver com as relações que estabelecemos. O prazer pode acontecer na Casa 7 ou na Casa 11, ou mesmo em nenhuma delas. Para quem não sabe, a Casa 3 rege outra forma de relação: as relações não escolhidas. O casamento e a amizade são relações escolhidas: nós escolhemos nosso cônjuge e nossos amigos. Na Casa 3 estão as relações não escolhidas: vizinhos e parentes próximos (primos, por exemplo). Nos interessa aqui aquilo que escolhemos.

Estamos aqui com uma questão moral e com uma questão ética. Uma questão essencialmente de escolha. A Casa 5 é fútil por natureza. A Casa 8 pode ser fundamental para a nossa própria coerência pessoal. Mas como elas funcionam quando não há mais nem prazer e nenhum ímpeto para a transformação?