sexta-feira, 24 de setembro de 2010
canção de amigo
há no mundo tanta necessidade de definir: problemas, soluções, futuros. não por mim. eu tenho gosto por inconclusões. tenho ânsias de eterno. desejo de ir além. pois concluir significa chegar ao fim. tenho ânsias de eterno. ao descobrir que gosto de ti, que gosto de te ter por perto. para te falar, ouvir. para te agradar, fazer-te alegre, mesmo que seja por hora, oferecer-te um pequeno bem-estar num fim de dia, ou de noite. não importa. que seja sem querer que o tempo acabe e que o momento se perpetue.
quero-te por perto para olhar nos teus olhos, não preciso decidir o que tu és para mim, nem o que serás. importa o que és, por si só, agora, neste instante qualquer. não, não quero te ter só para mim, como falam tantas canções de amor. eu quero apenas poder te achar, para ouvir teu pensamento e quem sabe sentir, se for a hora, o beijo do teu olhar, sobre o meu. não, não quero que sejas minha amada, namorada, nem nada. tenho ânsias de eterno, inconclusivo, sem fim.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
vicinais
como se conhecesse de véspera
percorro tua pele de amável textura
e as penugens se curvam e voltam
ao ritmo do fôlego
lábios peregrinos tocam com leveza
as ravinas de teu tórax
e por ali se envolvem num jogo
de não atender a anseios
escorrego para o abdome abstrato
que pareces recolher
e querer conduzir
para um fim mais farto e direto
mas ali permaneço
como se desdenhasse o porvir
sem atender às súplicas de carne
me entrego nesses caminhos
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
bi-polar
há em ti
uma moça quieta
às vezes calada
quase sempre contida
há em ti
uma quietude inquieta
mesclada em silêncio
de uma busca
sinto-me percorrer
a alma em busca de carne
sinto em mim teu espírito
me invadindo a casa
mal de lua te toma
e a noite te aflora
e não consegues mentir-te
quando chega a hora
e como o furor desabrota
a voracidade te toma
assim sem medida
e uma ânsia de sangue
transborda do cálice
derrama na cama
e emarfanha as cambraias
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