sexta-feira, 8 de maio de 2009

mais que a solidão




mais que a solidão
é te ver em fuga
é ver que preferiste
o outro lado do rio
onde há beleza
não há dúvida

mais que a solidão
é a distância que se fez
e o desdém que tomou
conta do teu sorriso
cheio de certezas
e de pequenas
indecências

mais que a solidão
é te ver oculta
sob um lençol
transparente
onde te vejo
mas não posso
tocar

mais que a solidão
é ver a perspectiva
de um sonho que se foi
e a cor da manhã
que fere de dor
a difusa luz
da janela pro vale


quinta-feira, 7 de maio de 2009

Astrologia Mundana: dois meses de Júpiter em conjunção com Netuno (*)




Se inicia em 13/05/2009 (durará até 10/07/2009) um tempo de idealismo no mundo.

As pessoas serão despertadas para um sentimento espontâneo para com os demais e entrarão num estado de disposição em ajudar outras pessoas. Cada um poderá ajudar as pessoas mais próximas com alguma coisa ou ação de conforto. Haverá uma predisposição geral em acudir a aqueles que se encontam em situação desvantajosa perante a sociedade. As instituições de caridade poderão contar com uma ahuda extra nesse tempo.

Esse tempo também ajudará e motivará a cada um a renovar os seus ideais. Não será suficiente para a satisfação pessoal de cada um simplesmente para acreditar em algo, ter mera mente uma fé genérica, as pessoas estarão propensas a realizarem suas convicções pessoais. Mas há uma tendência negativa, que reflete no plano pessoal de cada um, de considerar tudo em que acredita como uma verdade absoluta. Deve-se tomar cuidado par anão delirar demais no próprio idealismo.

Neste momento, muitas pessoas se interessarão mais por filosofia e religião. As pessoas estarão bem mais em observar como se ajustam na ordem universal. Estarão mais ligadas em abstrações e em como estas se relacionam à sua vida. Os aspectos cotidianos tenderão a aborrecer e parecerão mecânicos demais para que sejam objeto de preocupação. Não é preciso dizer que isso poderá trazer uma série de problemas na vida pessoal e comunitária. Portanto, é importante ter consciência do cotidiano, para evitar dificuldades, mesmo que as pessoas à volta não estejam ligadas nem um pouco em si mesmas. É vital manter a cotidianidade dos requisitos diários e isso ajudará a desenvolver perspicácias no dia-a-dia e tornar a vida muito mais significativa.

Existe outro lado, entretanto, a ser observado. As pessoas de modo geral estarão sujeitas a sentirem uma confiança tola nas suas próprias percepções. Como resultado, tenderão a tomar riscos e fazer apostas que podem levar a sérios prejuízos futuros. Aliás, não é um tempo muito propício para dedicar-se a jogos de azar. Nem a apostar corridas nas estradas e no trânsito cotidiano. Essa confiança exacerbada em si mesmo pode ser catastrófica.

O momento é de confundir os desejos com a realidade e deixar os desejos tomarem o timão da vida, nesse tempo, não é adequado.

Não é um bom tempo para fazer investimentos a longo prazo, porque a tendência é ver o mundo com lentes mais coloridas e os negócios requerem frieza e austeridade.

De fato, as pessoas estarão muito mais propensas a serem sensibilizadas por qualquer um que apele para seus desejos, especialmente para desejos mais íntimos.

Aproveite esse tempo para adquirir perspicácias na vida, mas evite avançar em seus interesses mais materiais, pois a tendência provável é de não ser bem sucedido. A não ser que tenha plena consciência do cotidiano e queira obter vantagem dos outros em estado geral de tolice... e isso não é muito bonito.



(*) Previsões de Claudio Aldebahran - c.aldebahran@gmail.com


quarta-feira, 6 de maio de 2009

constância





há uma distância
entre nós
entre as palavras
entre as sílabas

uma distância
sem gemido
apenas constância
impaciente

constância
da minha voz
tentando fingir
que sou o mesmo

mas o olhar
deixou de velar
os cuidados
de nossa cura

as mãos
pararam de afagar
os pequenos gestos
de sobrevivência

e na varanda
noite enegrecida
sem murmúrios
para minha surdez

e a porta
já está fechada
por causa do vento
que fala comigo

e esfria as canelas
as sandálias de dedo
o silêncio medonho
da noite sem fim



domingo, 19 de abril de 2009

não quero escrever nada





não
não quero escrever nada
nem isso aqui
eu quero escrever
eu quero te ler

quero te ler
tu que nada escreves
que não enfias teu ego
goela abaixo de quem vê
e que não se apressa em dizer
qualquer coisa
apenas por dizer

eu quero te ler
em teu silêncio
e na ausência
de entrelinhas
eu quero te despir

quero te entender
quero me achar em ti
quero extrair de mim
o teu silêncio







cais
o lusco-fusco marítimo
delineia tua sombra

eu te vejo

o cheiro da bebida
me embriaga
e sonho

já não te vejo

as cores delineiam
agora
a sombra que não és

divago